scream at me until my ears bleed




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*Girl, Interrupted*
Gotta find what you're looking for
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Terça-feira, Outubro 21, 2008
CONFORTO DA CULPA
"Tudo que eu faço me deixa culpado", diz Charlie Brown. Ele está na praia e acabou de jogar uma pedrinha na água, ao que Linus comenta, "Muito bem...aquela pedra demorou 4 mil anos para chegar ao seco, e agora você a jogou de volta na água."
Hoje vim lendo Zona do desconforto, de Jonathan Franzen, e fazia tempo que não lia algo que me fizesse tanto sentido, mesmo sendo tão simples:
" Eu me sentia culpado por não receber bem os abraços de minha mãe quando ela parecia precisar tanto deles. Eu me sentia culpado pelos paninhos de limpeza que ficavam na gaveta de baixo do armário de roupas, os paninhos mais velhos e mais finos que quase nunca usávamos. Eu me sentia culpado por preferir minhas melhores bolas de gude, a todas as outras bolas distribuídas pela minha rígida hierarquia de bolas de gude. Eu me sentia culpado pelos jogos de tabuleiro que não gostava de jogar e, às vezes, quando os amigos não estavam por perto, eu abria as caixas e examinava as peças na esperança de que os jogos se sentissem menos negligenciados. Eu me sentia culpado por descuidar do urso de pernas e braços rígidos e pêlo áspero, Mr. Bear, que não tinha voz e não se misturava bem com meus outros bichos de pelúcia. Para evitar sentir-me culpado em relação à eles também, eu dormia com um a cada noite, obedecendo a um rígido esquema de revezamento ao longo da semana".
A culpa compulsiva me faz todo sentido. Pesada, desnecessária, involuntária. Todos os paninhos encardidos do armário, todos os cachorrinhos tristes nas ruas.
7:47 PM
Publicado por Fernanda Armstrong em 7:47 PM
Sexta-feira, Outubro 17, 2008
Contando os minutos...
Eis a Alice, senhores. Existe algo mais a minha cara do que o Tim Burton dirigindo Alice no País das Maravilhas, com Johnny Depp e Helena Bonham-Carter no elenco? Tim me conhece.
O Coelho branco pôs os óculos. “Por onde devo começar, Majestade?”, perguntou.
“Comece pelo começo”, disse o Rei gravemente, “e prossiga até chegar ao fim; então pare”
7:01 PM
Publicado por Fernanda Armstrong em 7:01 PM
Terça-feira, Outubro 14, 2008
Vendo novela e fazendo alongamento. Isso que é querer fazer cada segundo produtivo.
8:01 PM
Publicado por Fernanda Armstrong em 8:01 PM
Segunda-feira, Outubro 13, 2008
Blog sem atualização é chato.
8:07 PM
Publicado por Fernanda Armstrong em 8:07 PM
Pré-histórica
Eu deveria estar decupando uma fita agora. O Francisco Cuoco me espera com suas rugas indefectíveis, mas eu resolvi parar para conversar com o Senhor, assim, no meio do expediente. Sei, que deve estar ocupado com as coisas de quem faz muito, quase tudo, mas quem sabe um break para o café?
Hoje no banho, entre o shampoo e a escova de dente, me peguei fatalista e cética demais até pra mim. Como se morrer, trocar a marca do condicionador e continuar viva fosse tudo a mesma coisa. Como se nada, nada, nada no mundo importasse de verdade. Porque tudo é perene.
(Engraçada essa palavra, perene, me faz pensar em um rio verde,vivo, depois seco, depois verde de novo, correndo longe pra morrer ali adiante)
Como sempre, me pego pensando muito na morte, tendo a consciência de que ela vem logo, mesmo que demore 50 anos.
Dia desses, ele me disse que a gente não se vai nunca. Que se transforma. Que aquele pedacinhoinhoinho de partícula que desgruda da minha pele e ele respira, me faz ficar viva pra sempre dentro dele e dos outros. E isso me deu um alívio tão maluco, tão repentino, que por um segundo tudo fez sentido. Para no instante seguinte, eu me esquecer e me preocupar à toa com o trânsito. O eterno retorno. Pois eu me cansei de ser dinossauro. E desde então, penso sobre morrer, mas não me desespero mais, porque é perene, entende? O que me desespera (e me conforta, incoerentemente) é saber que nunca acaba. Sou vítima da vidamoderna que me faz correr até uma linha de chegada.
E é por isso que converso com você sentada aqui na minha cadeira do trabalho, cercada de gente, porque NADA existe. Nem você, nem eu. Levanto uma pedra e te encontro, ligo o computador e você não está online, troco a marca do condicionador e estamos vivos . Tudo a mesma coisa.
8:00 PM
Publicado por Fernanda Armstrong em 8:00 PM
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Don't ever tell anybody anything, If you do, you start missing everybody.
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